15 de abril de 2016

Em busca da espiritualidade


A partir de determinado momento, o orgulho de não crer, de não ser crente, aquela empáfia antropocêntrica e iluminista de acreditar que a razão resolve tudo (o que significa, em grande medida, como já disse aqui, ter Fé na razão, o que é um paradoxo), começaram a se transformar num certo desagrado em não crer. A coisa começou com a percepção de que havia mais coisas ao meu redor do que eu podia compreender. Ou, ao menos, de que podia haver mais coisas, sim, além da minha capacidade de perceber. O mundo, este ou o outro, se é que outro mundo existe mesmo, tem grandes chances de ser uma coisa maior e mais complexa do que o meu poder cognitivo tem condições de abarcar. Não é em todo momento que eu penso, ou pensava, assim. Mas o número de momentos em que esta dúvida se instalou começou a crescer.
Depois veio o desejo de experimentar uma revelação. De sofrer uma epifania. Passei, de algum modo, a me sentir embotado, insensível, uma porta, sem um pingo de capacidade de ver ou sentir o Além desde aquela minha posição materialista. E a partir daquela minha velha e boa incapacidade de crer. Será que é preciso crer, ter Fé, para captar de alguma forma o outro plano, se ele existir de fato? Se for assim, se for preciso crer para ver, de novo vem o meu cérebro cartesiano dizer que há autossugestão na parada. O fantástico, para qualquer cético, seria ver sem crer. Aí sim. Prova definitiva. Mas a Fé, se dependesse de provas, teria que trocar de nome, né?
Abri como pude as portas da minha percepção ao registro daquilo que eu jamais pude enxergar ou comprovar. E percebi que, ocasionalmente, tenho medos do sobrenatural capazes de quebrar qualquer certeza na ausência das presenças que nesses momentos parecem se fazer sentir. Os números no visor do despertador que se repetem (retrato esse fenômeno no meu romance Homem Sem Nome), adivinhar a chegada ou o telefonema de alguém com segundos de antecedência. Algumas sensações amedrontadoras de presenças na casa vazia. Mudanças repentinas de humor que alguns diriam ser a troca de guarda entre os espíritos que nos rodeiam, atraídos pelas nossas energias - que alguns deles tentariam influenciar. Ambientes que jogam você para cima ou que lhe afundam no primeiro segundo em que você entra neles.
Medos límbicos, ancestrais, plenamente compreensíveis, próprios da evolução da espécie. Meras coincidências. Autossugestão repleta de superstições. Ou não. Ou então nada disso. E aquela noite em que eu não consegui dormir sozinho na casa do meu avô, no dia em que ele morreu, e que tanto me aborreceu pela falta de controle que eu tive sobre aquela sensação, e pelo fato de que a sensação não era boa numa casa que afinal sempre foi minha, talvez seja um evento para lá de concreto, ainda que não possa (ainda) ser medido e reproduzido em laboratório.

Por Adriano Silva.  16/06/2009 - 12:59
Fonte: http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivoingênuo


18 de março de 2016

Divaldo Franco: A crise e a transição planetária


É verdade que Emmanuel reencarnou para ter actividade na política (estando agora com 12 anos de acordo com declarações de Chico Xavier antes de desencarnar)?
Divaldo Franco - Que o Espírito Emmanuel reencarnou-se, isto é um facto, pois que foi revelado pelo médium Chico Xavier, que teria assistido o momento do seu retorno.
Quanto à tarefa que iria exercer, eu ignoro completamente e penso que o seu médium não o revelaria, no máximo, acredito que sua informação seria esclarecendo que o nobre Mentor que viria em uma missão muito significativa, mas não dizendo qual.
Joanna de Ângelis vai voltar em 2015? No Brasil? Vai certamente ser um vulto na área da Piscologia? Sabe em que áreas vai agir?
DF - Oportunamente, em 2010, numa conversa informal a Benfeitora informou-me que “a partir de 2015 estaria preparando-se para renascer na Terra, em solo brasileiro, a fim de participar da grande transição planetária”, não informando a data exacta, nem a área em que se apresentaria.
Que outros espíritos conhecidos na Terra voltarão a reencarnar em breve? Havendo tanto materialismo, tanta violência, tanta guerra, tanta gente que nem sequer descortina a sua condição de ser espiritual, isso significa que a transição tão desejada para mundo de regeneração seja mais demorada ou acontecerá até 2025 ou 2050? Como?
DF - Informam os nobres Espíritos que por mim comunicam-se, que filósofos e místicos, artistas e pensadores, estetas e cientistas do passado estarão retornando, alguns dos quais já se encontram entre nós, e podem ser identificados em inúmeras crianças de comportamento especial superior, a fim de realizar-se o grande enfrentamento com os Espíritos empedernidos no mal, superando as armadilhas da perversidade por sobrepor-lhes as excelências do amor e do bem.
A data é muito difícil de ser estabelecida, porém, isso ocorrerá no século actual.
Melhor dizendo: já vem ocorrendo.
No seu livro "Transição Planetária" fala em reencarnações em massa de espíritos de outros planetas. Porquê? No planeta Terra, no mundo espiritual não havia massa humana suficientemente evoluída, ao ponto de necessitar de "reforços" passe a expressão?
DF - É claro que existem na Terra milhões de almas nobres e que Jesus as comanda, no entanto, a fraternidade, o intercâmbio, a cooperação constituem elementos do progresso, diletos filhos do amor, e voluntários espirituais de outro sistema oferecem-se para ajudar na grande transformações, qual acontece entre nós, quando verificamos uma tragédia em um país e nos erguemos em solidariedade internacional.
O amor está acima das paixões e apegos de qualquer natureza, sejam pessoais, nacionais, internacionais, para considerá-lo do ponto de vista interplanetário.
Chico Xavier ou Divaldo Franco foram Kardec, ou o que está nas Obras Póstumas não está correcto, quando preconizava a volta de Kardec em breve, para completar a sua missão?
Porquê tanto segredo sobre Kardec, quando o Espiritismo é exemplo de simplicidade, sendo que a falta de informações sobre Kardec só contribuem para o boato e opiniões menos ajuizadas?
DF - Acredito na legitimidade da informação dos Espíritos quanto ao retorno de Kardec reencarnando-se, mas considero que o em breve tem uma duração de tempo diferente do nosso.
Ademais, porque a necessidade de o identificar, perturbando-lhe a obra? Não será mais nobre que venha no anonimato, não necessariamente no movimento espírita, mas na ciência, na tecnologia de ponta, confirmando, mediante as pesquisas de laboratório, os conceitos e ensinamentos exarados na Codificação?
A seriedade dos conteúdos espíritas não permite a futilidade de revelações dispensáveis e sem significado, sendo muitas das que ocorrem, resultado da falta de estudos sérios da doutrina, por aqueles que as apresentam.
Quem foi Divaldo Franco noutras vidas (que se lembre ou que lhe tenha sido revelado pelos Espíritos)?
DF - Até onde me tem sido permitido perceber, recordar ou receber informação dos Amigos espirituais, as jornadas anteriores foram tumultuadas, assinaladas por dislates, sendo esta a grande oportunidade de reparação, de crescimento, e auto-iluminação, o que, realmente, é muito importante.
Como distinguir no futuro, aquilo que é uma extensão, desdobramento, da Doutrina Espírita, daquilo que são fantasias mediúnicas ou mistificações?
DF - Toda informação mediúnica que se enquadrar na unanimidade universal, característica básica que legitima a sua procedência, merecerá respeito e aceitação.
Aqueloutras que tiveram características de exotismo, de personalismo e auto-promoção deverão receber o repúdio, conforme ocorre em todas as áreas do pensamento e do comportamento humano.
Uma palavra final sua e de algum espírito, para os espíritas e para a humanidade em geral.
DF - Nossa mensagem é uma proposta de paz, inicialmente, entre nós, os espíritas, respeitando-nos e elevando o nosso nível de consideração recíproca pelo outro. Estendendo o conceito, tem ela o desejo de convocar todo indivíduo para o bem, o cumprimento recto do dever, para a fraternidade e a vitória sobre o egoísmo onde nascem os males que a todos nos afectam.
(Importante entrevista de Divaldo Franco concedida ao Jornal de Espiritismo, em Portugal, cuja 1ª parte foi publicada no Jornal de Espiritismo nº 55 e a 2ª parte saiu no JDE nº 56 (Janeiro / Fevereiro de 2013).

29 de dezembro de 2015

Amanhã será outro dia.


Não percas a tua fé entre as sombras do mundo. Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo. Crê e trabalha.

Esforça-te no bem e espera com paciência. Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá.

De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.

Eleva, pois, o teu olhar e caminha. Luta e serve. Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite.

Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte... Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia. 

(Meimei - Espírito/Chico Xavier)


12 de novembro de 2015

O que é viagem astral

O que é Viagem Astral?
É a capacidade parpsíquica que todas as pessoas têm de projetar temporariamente a sua consciência espiritual para fora do corpo físico. Essa capacidade vem sendo chamada, ao logo dos milênios, de acordo com as diversas doutrinas que trabalham a espiritualidade por nomes diferentes.
Então, temos viagem astral, que é o mais popular, enquanto que experiência fora do corpo ou projeção da consciência são nomes mais técnicos. No espiritismo é comumente chamada de desdobramento espiritual, emancipação da alma ou desprendimento espiritual.
Independente do nome que usarmos, é uma capacidade humana, latente em nós, pois somos espíritos, e ocupamos um corpo físico aqui na Terra por um certo tempo. Portanto, à noite, quando dormimos, o corpo relaxa, nosso metabolismo fica mais tranqüilo, e os laços energéticos que prendem o perispírito ao corpo se afrouxam e o corpo espiritual (perispírito) é temporariamente projetado pára fora do corpo físico. É essa projeção que leva o nome de viagem astral.
Isso ocorre com todos, independente da religião do indivíduo. Ela ocorre devido ao potencial humano. Até mesmo alguns mamíferos mais avançados, como gato, cachorro, cavalo ou vaca, têm desprendimento para fora do corpo enquanto dormem.
Como diferenciarmos um sonho de uma projeção: Quando estamos sonhando, qual é o espaço onde as imagens do sonho se apresentam? Em nossa tela mental interna. Então a característica das imagens do sonho, também chamadas de imagens oníricas, é que elas são de extrema plasticidade. Por exemplo, quando você está sonhando, as imagens não param. São extremamente “plásticas”, mudam em segundos, são vivazes. Nossa noção de tempo também desaparece.
Às vezes você está tendo um sonho onde se passou uma tarde inteira, mas quando você acorda, percebe que cochilou por quinze minutos. Portanto, como o sonho é um estado alterado de consciência, nossa noção de tempo e espaço se altera também.
Quando a pessoa está projetada fora do corpo, de forma consciente, tem o mesmo grau de lucidez de quando está em seu estado de vigília, acordada. Portanto, para diferenciarmos um sonho de uma projeção, basta usarmos os parâmetros que usamos no momento de vigília. Por exemplo, eu penso, raciocino, tenho noção de tempo e espaço, etc.
O corpo espiritual não é afetado pela gravidade, pois é um corpo energético mais sutil, que atravessa objetos sólidos. Então, a pessoa, normalmente, se vê flutuando no ar sobre o corpo físico sem ter noção do que está acontecendo. Neste momento, ela se questiona se está sonhando, mas sua lucidez, o grau de questionamento é igual ao da vigília. Existe uma coerência.

Wagner Borges


4 de novembro de 2015

As aparições de espíritos



As aparições propriamente ditas ocorrem no estado de vigília, no pleno gozo e completa liberdade das faculdades da pessoa. Apresentam-se geralmente com uma forma vaporosa e diáfana, algumas vezes vaga e indecisa. Quase sempre, a princípio, é um clarão esbranquiçado, cujos contornos vão se desenhando aos poucos. De outras vezes as formas são claramente acentuadas, distinguindo-se os menores traços do rosto, a ponto de se poder descrevê-las com precisão. As maneiras, o aspecto, são semelhantes aos do Espírito quando encarnado.
Podendo tomar toda as aparências, o Espírito se apresenta com aquela que melhor o possa identificar, se for esse o seu desejo. Assim, embora não tenha, como Espírito, nenhum defeito corporal, ele se mostra estropiado, coxo, corcunda, ferido, com cicatrizes, se isso for necessário para identificá-lo.
Há os que muitas vezes se apresentam com símbolos da sua elevação, como uma auréola ou asas, pelo que são considerados anjos. Outros carregam instrumentos que lembram suas atividades terrenas: assim um guerreiro poderá aparecer com uma armadura, um sábio com seus livros, um assassino com seu punhal, e assim por diante. Os Espíritos superiores apresentam uma figura bela, nobre e serena. Os mais inferiores têm algo de feroz e bestial, e algumas vezes ainda trazem os vestígios dos crimes que cometeram ou dos suplícios que sofreram. O problema das vestes e dos objetos acessórios é talvez o mais intrigante.
Dissemos que a aparição tem algo de vaporoso. Em alguns casos poderíamos compará-la à imagem refletida num espelho sem aço, que apesar de nítida deixa ver através dela os objetos detrás. É geralmente assim que os médiuns videntes a distinguem. Eles as vêem ir e vir, entrar num apartamento ou sair, circular por entre a multidão com ares de quem participa, ao menos os Espíritos vulgares, de tudo o que se faz ao seu redor, de se interessarem por tudo e ouvirem o que diz. Muitas vezes se aproximam duma pessoa para lhe assoprar idéias, influenciá-la, quando são Espíritos bons, zombar dela, quando são maus, mostrando-se tristes ou contentes com o que obtiverem. São, em uma palavra, a contraparte do mundo corporal.
O Espírito que deseja ou pode aparecer reveste algumas vezes uma forma ainda mais nítida, com todas as aparências de um corpo sólido, a ponto de dar uma ilusão perfeita e fazer crer que se trata de um ser corpóreo. Em alguns casos, e dentro de certas circunstâncias, a tangibilidade pode tornar-se real, o que quer dizer que podemos tocar, palpar, sentir a resistência e o calor de um corpo vivo, o que não impede a aparição de se esvaecer com a rapidez de um relâmpago. Nesses casos, já não é só pelos olhos que se verifica a presença, mas também pelo tato. Se pudéssemos atribuir à ilusão ou a uma espécie de fascinação a ocorrência de uma aparição simplesmente visual, a dúvida já não é mais possível quando a podemos pegar, e quando ela mesma nos seguras e abraça. As aparições tangíveis são as mais raras.

FONTE: Blog Espírita Celeiro de Luz