3 de maio de 2011

O Centro Espírita: sua importância e seu significado.


Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, qual é realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra. Temos no Brasil – e isso é um consenso universal – o maior, mais ativo e produtivo movimento espírita do planeta. A expansão do Espiritismo em nossa terra é incessante e prossegue em ritmo acelerado. 
Kardec avaliou a sua importância no plano da divulgação e da orientação dos grupos, explicando ser preferível a existência de vários Centros pequenos e modestos numa cidade ou num bairro, à existência de um único Centro grande e suntuoso.
Organizado o Centro, com uma denominação simples e afetiva, aprovados em assembléia geral e registrados os estatutos e as atas, sua função e significação estarão definidas como Estudo e Prática da Doutrina Espírita, sempre segundo o Codificação de Allan Kardec. Sem Kardec não há Espiritismo, há apenas mediunismo desorientado. 
Cada Centro Espírita tem os seus protetores e guias espirituais que comprovam a sua autenticidade pelos serviços prestados, pelas manifestações oportunas e cautelosas e pela dedicação aos princípios de Kardec. 

A Doutrina é o renascimento do cristianismo primitivo e, para bem compreendermos as finalidades do centro espírita, devemos examinar o tipo de trabalho desenvolvido pelos Apóstolos e pelo próprio Allan Kardec. É entre eles que fomos encontrar a trilogia da prática espírita: 
1 - Aprender 
Uma vez que somos Espíritos que estamos na Terra para evoluirmos, é natural que o aprendizado seja uma das fundamentais tarefas do verdadeiro espírita. 
2 - Ensinar 
O Espiritismo tem a função primordial de educar as criaturas, conduzindo-as ao equilíbrio através do conhecimento. 
3 - Assistir 
A tarefa de assistir ao próximo se divide em assistência espiritual e material. 
Considerando que a missão do Espiritismo visa a transformação da humanidade pela melhoria das massas, por meio do gradual aperfeiçoamento dos indivíduos, todo auxílio feito ao próximo não pode perder de vista a condição espiritual do ser e sua projeção além do túmulo. Desse modo, a assistência espiritual trabalhará preventiva, ostensiva e construtivamente, sem esquecer que temos necessidades, cujas raízes se perdem no tempo e se exteriorizam no presente.
Os serviços assistenciais à pobreza, prestados pelos Centros Espíritas, constituem a contribuição espírita para o desenvolvimento de nova mentalidade social em nosso mundo egoísta. Negar auxílio, nesses casos, a pretexto de que estamos sonhando com medidas melhores é falta de caridade, comodismo disfarçado em idealismo superior. O Centro Espírita é instrumento de ação imediata e age de acordo com as necessidades urgentes. A evolução social depende da evolução dos homens. 
Os serviços de assistência ao próximo só podem retardar o avanço da violência, ao mesmo tempo em que aceleram o desenvolvimento moral e espiritual da Humanidade. É desse desenvolvimento, e exclusivamente dele, que poderá surgir na Terra uma civilização superior. 
Como se vê, o Centro Espírita é realmente um centro de convergência de toda a dinâmica doutrinária. Nele revelam-se os médiuns, comunicam-se os espíritos, educam-se crianças e adultos, libertam-se os obsediados, estuda-se a doutrina em seus aspectos teórico e prático e promove-se a assistência social a todos os necessitados, sem imposições e discriminações, cultivando a fraternidade que abre os portais do futuro. 
Allan Kardec traçou a linha de conduta do verdadeiro espírita: que se esforçasse constantemente para dominar suas más inclinações. Ora, só podemos lutar contra uma tendência ruim se tivermos consciência dela. Para tanto, temos que nos conhecer. Daí, surge a necessidade do auto-conhecimento.
O dirigente espírita é o gerente da casa de trabalhos. Cabe a ele a função de administrar e coordenar todas as ações, elaborar seus planos e executá-los. Sobre ele paira a responsabilidade de orientar as atividades doutrinárias, trabalhar o desenvolvimento dos membros sob sua tutela e planejar o sistema administrativo do centro.
Kardec dizia que a vida deve nos servir de aprendizado. Se observarmos as escolas e instituições do mundo, vamos verificar que princípios diretivos sempre as orientam. Alguns determinam e outros cumprem. O Centro Espírita precisa ser coordenado por uma metodologia semelhante. Quando não se faz um trabalho organizado, o resultado não pode ser bom.
Imaginemos um barco navegando sem capitão. Uma nau que a cada dia recebesse uma orientação. É certo que não chegaria a lugar algum. O mesmo aconteceria com uma empresa sem diretores, sem um plano de serviços. Os resultados não seriam satisfatórios.
A vida moral do servidor espírita necessita de cuidados especiais. 
Dirigentes, auxiliares e freqüentadores de um Centro Espírita bem organizado sabem que a obra de Kardec é um monumento científico, filosófico e religioso de estrutura dinâmica, não estática, mas cujo desenvolvimento exige estudos e pesquisas do maior rigor metodológico, realizadas com humanidade, bom-senso e respeito à doutrina.
As pessoas que procuram o centro para serem ajudadas, costumam tomar a imagem do trabalhador espírita como linha de referência para sua própria imagem. Por esta razão, o que fazemos e a forma como nos apresentamos no centro espírita assumem relevante importância. 
Daí a grande importância de que o público tome conhecimento do que é o Centro Espírita, para que serve, qual o seu objetivo a fim de que também perceba, desperte e entenda que a função do Centro Espírita não é curar corpos, resolver problemas, afastar Espíritos, mas, algo muito mais abrangente - despertar almas para que estruturem as mudanças morais saneadoras, restauradoras, capazes de, renovando o Espírito, entender problemas, buscando soluções, atraindo amigos espirituais, transformando a existência no processo da vida em ponto de luz, do futuro de amor que almejamos.
O Centro Espírita significa, assim, uma fortaleza espiritual da grande batalha para o restabelecimento da verdade cristã na Terra. Mas tudo isso deve ser encarado de maneira racional e não mística. Ninguém está ali investido de prerrogativas divinas e sim de obrigações humanas. 

Extraído do Livro O Centro Espírita de J. Herculano Pires e do Jornal Verdade e Luz e Jornal Mundo Espírita
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30 de abril de 2011

A Mediunidade.

A mediunidade é a capacidade que algumas pessoas têm de servir de intermediárias entre o plano espiritual e o plano material. A mediunidade apresenta-se de diversas maneiras e com muitas intensidades diferentes. Há pessoas que apenas escutam os espíritos, outros apenas vêem, outros ainda ficam sabendo o que vai acontecer através de sonhos, e assim, sucessivamente.  Mas, se a mediunidade se apresenta de maneiras tão diversas, em contrapartida possui apenas uma finalidade: Servir de instrumento para o auxílio do próximo. 
Neste artigo, relacionamos dúvidas mais comuns acerca da mediunidade, numa tentativa de responder às indagações que achamos mais comuns ou mais importantes a serem esclarecidas. 

1) Eu vejo vultos e ouço vozes. Sou médium? 
Não necessariamente. Muitas vezes estamos passando por processos obsessivos, ou seja, estamos tendo o nosso campo mental bombardeado por mensagens de ódio enviadas por algum espírito com o qual temos algum tipo de débito do passado. Nessas situações, é muito comum a pessoa depois de algum tempo, de tanto ter aquele espírito próximo a ele, começar a assimilar as suas vibrações e, assim, até mesmo começar a percebê-lo com mais intensidade. Em casos assim, devemos procurar um centro espírita bem orientado e fazer um tratamento espiritual de desobsessão. Uma vez que a terapia de desobsessão tenha sido realizada com sucesso, oque mais ocorre é que a pessoa deixa de ter esses eventos ‘mediúnicos’, o que deixa claro que ela não era médium e sim ‘estava’ médium, em função de uma determinada circunstância 
Entretanto, se após o tratamento ter sido concluído com êxito, os fenômenos continuarem, então devemos buscar o Estudo Sistematizado da Mediunidade, que trata-se de um curso oferecido gratuitamente na casa espírita, para que possamos lidar melhor com a nossa mediunidade. 
Portanto, para que consideremos que a pessoa é dotada de mediunidade, é necessário que os fenômenos sejam persistentes, ou seja, que ocorram com determinada frequência e ao longo de um determinado tempo, e não sejam algo esporádico, circunstacial. 

2) Fui em um centro espírita porque estavam ocorrendo alguns fenômenos espirituais comigo. Lá chegando disseram que eu deveria desenvolver a minha mediunidade. Isso está certo? 
Não. De forma alguma. Como esclarecemos em um artigo anterior, infelizmente, há pessoas que fazem parte de uma casa espírita mas não estudam e, por isso, acabam falando coisas sem lógica. 
Primeiro, ninguém desenvolve a mediunidade. Em um centro espírita, há cursos específicos para que as pessoas eduquem a sua mediunidade. O objetivo é ensinar as pessoas a lidarem com a mediunidade que possuem, de forma equilibrada e harmônica. Desenvolver a mediunidade significaria dizer que a pessoa aumentaria a sua capacidade mediúnica, o que não ocorre. O que ocorre é que a pessoa aumenta a sua habilidade em lidar com os fenômenos, e isso faz uma enorme diferença. 
Em segundo lugar, o prudente é fazer um tratamento espiritual e, somente depois, persistindo os eventos, devemos iniciar os estudos e, após eles, a prática na casa espírita.


Publicado por Ylen Asor e arquivado em Mediunidade, Obsessão, Percepção Espírita



26 de abril de 2011

A Importância da Evangelização Espírita Infanto-Juvenil




No corpo e fora dele, dá continuidade ao seu aperfeiçoamento e à sua caminhada na conquista da felicidade. Precisamos entender bem a função própria do período infantil para avaliarmos a real importância da Evangelização Espírita Infanto-Juvenil. A principal finalidade de o Espírito nascer criança outra vez é ser educado novamente. “Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores”. A. Kardec (O Livro dos Espíritos, questão 385)



As impressões positivas que recebe durante a infância podem ser determinantes em sua existência atual e até em próximas vidas. Exatamente por causa do estado de semi-consciência do Espírito encarnado, num corpo infantil, suas barreiras de defesa psíquica estão neutralizadas: ele está brando, mais receptivo, mais maleável, mais aberto a todas as influências. Daí a importância da Evangelização Espírita, pois evangelizar é preparar o ser humano para enfrentar todos os momentos e adversidades da vida nos postulados do Evangelho.


É o único meio de cultivar no Espírito da criança, desde o alvorecer da vida, o entendimento da prática das boas obras, a aquisição da moral e do saber, para que ela atinja o crepúsculo físico consciente de suas conquistas espirituais, conhecendo a si mesma e situando-se no Universo como colaborador da Divindade Suprema.
Quando Jesus nos recomendou não desprezar os pequeninos, esperava de nós não somente medidas providenciais alusivas ao pão e à vestimenta. É imprescindível o abrigo moral que assegure ao espírito renascente o clima de trabalho necessário à sua sublimação. A criança é o sorriso do futuro na face do presente. Evangelizá-la é, pois, espiritualizar o porvir, legando-lhe a lição clara e pura do ensinamento cristão, a fim de que, verdadeiramente, viva o Cristo nas gerações de amanhã.
Sob a ótica da Doutrina Espírita, devemos entender que, na juventude, o indivíduo já deixou de ser criança, mas ainda não é adulto. Ele está numa outra fase de seu desenvolvimento, etapa difícil, marcada por mudanças de ordem biológica, psicológica, social e necessita, mais do que nunca, de orientação e amparo para que possa estar bem consigo, com o próximo e com Deus, conforme nos instrui Kardec em O Livro dos Espíritos, questão 385 : “Na adolescência o espírito retoma a natureza que lhe é própria e se mostra qual era”. A. Kardec
É um período de reorganização que se inicia, na maioria das vezes, com contestações, rebeldias, rupturas, inquietações, podendo passar por transgressões, para desembocar numa reflexão sobre os valores que o cercam, sobre o mundo e sobre a sua existência. É preciso saber um pouco da história de vida do adolescente para conhecer suas potencialidades e dificuldades. Esse conhecimento facilita o diálogo entre adolescente, evangelizador e grupo. No jovem, ainda é possível corrigir, compensar falhas e deficiências da infância, mas no adulto a tarefa de remodelação é normalmente muito mais difícil.
O homem será o que de sua infância se faça. A criança é sementeira que aguarda, o jovem é campo fecundado, o adulto é seara em produção. Desse modo, conforme a qualidade da semente, teremos a colheita. Saibamos cuidar de nossos jovens, moldando-lhes o caráter e a personalidade, sob as diretrizes dos ensinamentos do Cristo à luz da Doutrina Espírita e estaremos, assim, contribuindo para a formação de adultos mais equilibrados e conscientes de suas responsabilidades diante da construção do Mundo do 3.º Milênio.
O caminho pode ser longo. Estamos sempre por chegar, construindo e reconstruindo. Trata-se de um caminhar contínuo, repleto de descobertas e surpresas. Assim é o trabalho; cheio de possibilidades e de reconstruções. As sementes deixadas germinarão a seu tempo. Os frutos, talvez não os possamos colher, mas sabemos que lá estarão para serem colhidos. Trabalhamos para estabelecer bases para a compreensão e vivência dos valores morais calcados nas leis de Deus, e essa compreensão e vivência precisam de tempo para constituir-se e consolidar-se. 

Fonte:
www.consolador.com.br Material IV Encontro de Evangelizadores – FEB




11 de abril de 2011

Alcoolismo x Vampirismo


A cólera, o ódio, os desvarios do sexo e os vícios, oferecem campo a perigosos germes psíquicos na esfera da alma. Paralelamente aos micróbios alojados no corpo físico há bacilos de natureza psíquica, quais larvas, portadoras de vigoroso magnetismo animal. Essas larvas constituem alimento habitual dos espíritos desencarnados e fixados nas sensações animalizadas.
A indiferença à Lei Divina determina sintonia entre encarnado e desencarnado viciados, este agarrando-se àquele, sugando a grande energia magnética da infeliz fauna microbiana mental que hospeda, em processo semelhante às ervas daninhas nos galhos das árvores, sugando-lhes substância vital. Com o tempo destroem as células perispirituais, criando grandes problemas de saúde numa próxima reencarnação.
O retorno num novo corpo será doloroso, com moléstias muito graves, doenças mentais – hidrocefalias - paralisias – cegueiras – idiotismo e vários tipos de câncer. Os vapores sutis das drogas, ao se volatilizarem são facilmente detectados pelos espíritos-viciados, que sorvem esses vapores, deles se apropriando e incentivando o encarnado a consumir mais e mais...
O freqüentador de bares, ao sair embriagado, não está sozinho; junto a ele, num processo de simbiose uma entidade das sombras o abraça, qual se um polvo estranho o absorvesse, exibindo as mesmas perturbações. Esse triste processo chama-se Vampirismo Espiritual, ou seja, ação dos espíritos inferiores desencarnados que viciosos imantam-se às suas vítimas, absorvendo-lhes fluidos vitais. 

(André Luiz, no livro: Nos Domínios da Mediunidade) 

A vinculação alcoólica escraviza a mente desarmonizando-a e envenena o corpo deteriorando-o. Tem início através do aperitivo inocente, que logo se converte em dominação absoluta.
A pretexto de comemorações, festas, decisões etc, não se comprometa com o vício, na suposição de que dele se libertará quando queira, pois se os viciados pudessem, não estariam sob essa violenta dominação. 
(Joanna de Angelis, no livro: Após a Tempestade) 

Por tudo isso, podemos afirmar que ninguém está só, no Bem ou no Mal: as leis da atração e da sintonia funcionam invariavelmente em ambas as situações, independentemente dos agentes ou pacientes estarem no plano material ou no plano espiritual. Os toxicômanos, em particular, geralmente desconhecem tais mecanismos espirituais. Informá-los a respeito é tarefa primeira e prioritária para a sua recuperação.

Para todos, porém, o remédio ideal é a vontade de auto reformar-se.
Uma vez tomada essa feliz decisão, o Evangelho de Jesus age como poderosíssimo guindaste, reerguendo o Espírito equivocado e infeliz às alturas da reconstrução moral, patamar no qual o vício não alcança. 
A oração é sempre o mais eficiente antídoto contra o Vampirismo.

Fonte: CEJA





26 de março de 2011

Médiuns irresponsáveis

 Associou-se indevidamente à pessoa portadora de mediunidade ostensiva à qualidade de Espírito elevado.
O desconhecimento do Espiritismo ou a informação superficial sobre a sua estrutura deu lugar a pessoas insensatas considerarem que, o fato de alguém ser possuidor de amplas faculdades medianímicas, caracteriza-se como um ser privilegiado, digno de encômios e projeção, ao mesmo tempo possuidor de um caráter diamantino, merecendo relevante consideração e destaque social.
Enganam-se aqueles que assim procedem, e agem perigosamente, porquanto, a mediunidade é faculdade orgânica, de que quase todos os indivíduos são portadores, variando de intensidade e de recursos que facultem o intercâmbio com os Espíritos, encarnados ou não

Neutra, do ponto de vista moral, em si mesma, a mediunidade apresenta-se como oportunidade de serviço edificante, que enseja ao seu portador os meios de auto-iluminar-se, de crescer moral e intelectualmente, de ampliar os dons espirituais, sobretudo, preparando-se para enfrentar a consciência após a desencarnação.
Às vezes, Espíritos broncos e rudes apresentam admiráveis possibilidades mediúnicas, que não sabem ou não querem aproveitar devidamente, enquanto outros que se dedicam ao Bem, que estudam as técnicas da educação das faculdades psíquicas, não conseguem mais do que simples manifestações, fragmentárias, irregulares, quase decepcionantes.
Não se devem entristecer aqueles que gostariam de cooperar com a mediunidade ostensiva, porquanto a seara do amor possui campo livre para todos os tipos de serviço que se possa imaginar. Ser médium da vida, ajudando, no lar e fora dele, exercitando as virtudes conhecidas, constitui forma elevada de contribuir para o progresso e desenvolvimento da Humanidade.

Através da palavra, oral e escrita, quantos socorros podem ser dispensados, educando-se as criaturas, orientando-as, levando-as à edificação pessoal, na condição de médium do esclarecimento?!
Contribuindo, nas atividades espirituais da Casa Espírita, pela oração e concentração durante as reuniões especializadas de doutrinação, qualquer um se torna médium de apoio.
Da mesma forma, através da aplicação dos passes, da fluidificação da água, brindando a bioenérgia, logra-se a posição de médium da saúde.

Na visita aos enfermos, mantendo diálogos confortadores, ouvindo-os com paciência e interesse, amplia-se o campo da mediunidade de esperança.
Mediante o dialogo com os aturdidos e perversos, de um ou do outro plano da vida, exerce-se a mediunidade fraternal da iluminação de consciência. Neste mister, aguça-se a percepção espiritual e desenvolvem-se os pródromos das faculdades adormecidas, que se irão tornando mais lúcidas, a fim de serem usadas dignamente em futuros cometimentos das próximas reencarnações.
Ser médium é tornar-se instrumento; e, de alguma forma, como todos nos encontramos entre dois pontos distantes, eis-nos incursos na posição de intermediários. Ter facilidade, porém, para sentir os Espíritos é compromisso que vai além da simples aptidão de contatá-los. Desse modo, à semelhança da inteligência que se pode apresentar em indivíduos de péssimo caráter, que a usam egoística, perversamente, ou como a memória, que brota em criaturas desprovidas de lucidez intelectual, e perde-se, pela falta de uso, também a mediunidade não é sintoma de evolução espiritual.
Allan Kardec, que veio em nobre missão, Espírito evoluído que é, viveu sem apresentar qualquer faculdade mediúnica ostensiva, enquanto outros indivíduos do seu tempo, que exerceram a faculdade medianímica, por inferioridade moral, venderam os seus serviços, enxovalharam-na, criaram graves empecilhos à divulgação da Doutrina Espírita que, indevidamente, foi confundida com os maus exemplos desses médiuns inescrupulosos e irresponsáveis.
Certamente, o médium ostensivo, aquele que facilmente se comunica com os Espíritos, quando é dotado de sentimentos nobres e possui elevação, torna-se missionário do Bem nas tarefas a que vai convocado, ampliando os horizontes do pensamento para a imortalidade, para a vitória do ser libertado de todas as paixões primitivas.
Normalmente, e as exceções são subentendidas, os portadores de mediunidade ostensivas, porque se encontram em provações reparadoras, falham no desiderato, após o deslumbramento que provocam e a auto-fascinação a que se entregam por invigilância e presunção. Toda e qualquer expressão de mediunidade exige disciplina, educação, correspondente conduta moral e social do seu portador, a fim de facultar-lhe a sintonia com Espíritos Superiores, embora o convívio com os infelizes, que lhe cumpre socorrer.
O médium irresponsável, porém, não é apenas aquele que, ignorando os recursos de que se encontra investido, gera embaraços e perturbações, tombando nas malhas da própria pusilanimidade, mas também, aqueloutros que, esclarecidos da gravidade do compromisso, se permitem deslizes morais, veleidades típicas do caráter doentio, terminando vitimados pelas obsessões cruéis.
Todo aquele, portanto, que deseje entregar-se ao Bem, na seara dos médiuns, conscientize-se da responsabilidade que lhe diz respeito, e, educando a faculdade, torne-se apto para o ministério, servindo sempre e crescendo intimamente com os olhos postos no próprio e no futuro feliz da sociedade.

Texto de Manuel Philomeno de Miranda, pela psicografia de Divaldo Franco.